segunda-feira, abril 18, 2011

Amor Proibido - II


E quando muito queria lhe dizer algo, fazia silêncio. Assim, ele se inventou dentro de mim, por mais que tentasse reprimi-lo. Meu silêncio declarou meu amor mesmo quando eu ainda tinha medo. Meu silêncio lhe recitou versos antes de eu começar a tentar a poesia. Meu silêncio balbuciava o seu nome, mesmo quando você não estava por perto. Mas meu silêncio ficava ainda mais engrandecido quando eu falava com você. Estranho? 
Quando agente conversava, eu também estava fazendo silêncio.

Fernando Palma


Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas.


Texto publicado originalmente em Junho de 2005


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sexta-feira, abril 15, 2011

Um Pouco de Infância e Alguns Ventos - I





“E depois?” “As estrelas.” “E depois das estrelas?“ “As estrelas das estrelas...” “E depois?” Risos. “Ah, não sei. Vira pra cá, vai... Você me deixa escrever seu rosto?” “E como é isso de escrever um rosto hein?” “É o mesmo que desenhar. Só que por dentro.”


Fernando Palma









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domingo, maio 02, 2010

Danii III





Como um asa-delta que atravessa uma corrente ruim e ao despencar surpreende-se com um vento forte, divino, no sentido contrário. O vento oposto, firme, que nos faz subir novamente e triunfar após pensar em aterrissar. Voar para sempre, triunfo eterno, a garantia, a esperança. Como o peso do elevador que sustenta a subida, evita que você caia e se machuque. Como a carga negativa que  é repelida pela positiva, a balança que se posiciona no centro graças a fidelidade graciosa dos dois lados. A união, combinação feliz. O verão acalmando as chuvas, o vento que alisa o fim da tarde aliviando o calor que quase nos mata. A melodia chamando para dançar depois de muito, muito tempo de silêncio. O milagre da perfeição natural, do equilíbrio. Porto Seguro. 


Você é o vento que sopra e garante o meu vôo. É o meu ponto de equilíbrio.  



Fernando Palma




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domingo, outubro 18, 2009

O Ministério da Saúde Adverte: ame com moderação. O consumo excessivo pode causar danos irreparáveis.









I



“E amanhã...

Vou querer mais.

E depois de amanhã

mais .

E depois

mais.

E mais...


E você?”



“Perdoe-me,

mas é que eu só amo de vez em quando.

Não sou viciado.”



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quinta-feira, outubro 15, 2009

Danii - II





Não projete demais, não calcule, apenas fique por perto. Não hesite. Nem por três milésimos. Pense por três segundos: o que representam três anos? De onde vem a matemática do amor? Não há números em nossos encontros, Danii, apenas versos. Escrever para você é como imitar um poema já composto. É como copiar nossa própria poesia. E depois, esperar para saber se você achou que eu fiz parecido. Hoje, só desejo isso, que leia e se mantenha por perto. Não calcule, não tenha medo, simplifique. A simplicidade é a perfeição dos apaixonados. A perfeição é uma apaixonada pela simplicidade. Danii, o que nossos atos erram, a natureza se ocupa em reparar. Nunca se esqueça. Quando nos dizemos as palavras erradas, ainda assim, nos dizemos as palavras certas. Quando nos dizemos as palavras certas, é como nos dizer o absoluto, como adivinhar o pensamento, o futuro, como a felicidade de uma criança, "o paraíso". Dizer as palavras certas é como escrever algo inatingível, perfeição inalcançável. É quase um silêncio.


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domingo, outubro 11, 2009

O Paraíso



O dia amanhece escutando música. Ele mal conseguiu dormir, mesmo assim acorda renovado, como nunca antes. Ela finge que não dá bola, mas deixa escapar  o riso que não conseguiu disfarçar quando ele chegou perto. Eles se protegem, mas se denunciam. Mas não é o tipo de denuncia que condena ou aprisiona, ao contrário: liberta. Se ela sente o mesmo, ainda é uma dúvida, ele calcula. Alguns podem dizer, mas será dúvida. E mais sincero assim: na incerteza. Eles nunca irão adivinhar. Ele pode lhe dizer algo em um mometo-qualquer-semi-planejado, ela percebe. Mas não liga se não disser nada, contenta-se com a espera. Eles consentem. Os minutos não passam, o filme que muda de cena. Ela volta nos melhores momentos: a canção. A vida não acaba, apenas a história. O telespectador não cansa de repetir.



Se eu pudesse escolher para onde ir depois da morte, me transformaria em uma trilha sonora, me enviaria para o cinema, num destes filmes juvenis, onde a conquista é a maior preocupação da existência, a felicidade é besta, a repetição agrada, o choro é mais belo do que triste, os personagens permanecem jovens para sempre. E se um por algum motivo, um dia, por um incidente, sentisse que a história acabou, simplesmente voltaria para o início, e faria tudo acontecer novamente. O paraíso é  um eterno filme de paixão adolescente. 



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domingo, maio 20, 2007

Um Pouco de Infância e Alguns Ventos – II


A cidade era pequena, mas o verão se vestia de grande. Desconhecida, nem violência escutara seu nome. O colégio, generoso, tinha amizade boa com surpresa, mais do que com o próprio ensino. É você o menino que escreve?

Os olhos em tropeço, recusando o desafio dos olhos dela, dedos apertando os livros para se livrar das mãos. O pátio em ventania de recreio salvava o silêncio. Ele não acreditava. Ela tinha curiosidade. A notícia das redações de classe tinha chegado à Quarta série.

No início, a poesia fazia o assunto da amizade, depois, a amizade se lambuzava pelos corredores e mal cabia em poesia. Descobriram que eram vizinhos de rua, bastavam duas quadras. Em pouco tempo, viraram também vizinhos de alguma outra coisa intima deles. Mas disso ninguém sabia.

Nas férias, as tardes levavam as crianças pra brincar e depois, exaustas, adormeciam em baixo da noite. O dia não era vigiado pelo relógio, por isso não tinha pressa de ir embora. Ele gostava da praça da Igreja, no alto. Dava pra ver a casa dela. Escrevia-lhe em bilhetes os sorrisos recém-nascidos pela manhã, mãos dos guris serviam correios. Ponderava a brincadeira e paixão, um olho na pipa, o outro ansioso investigava as pistas das respostas, os méritos e aparições. Daí, chegavam poemas em abraços, versos-olhos soprados nas beiradas das ruas – bem pequenos pra que ninguém notasse, - ao escurecer, telefonemas. E as paisagens exclusivamente femininas, ilustradas atrás da voz da ligação. O resto do mundo quase não fazia diferença.

Antes do sono, costurava com lápis acontecimentos na cabeceira. Reeditava episódios, imenso dele mesmo, formatava em letras rabiscadas, trancava tudo no quarto. Mãe insistia na janta. Cauteloso, carregava trechos no bolso, as palavras na ponta da língua. Quando a retribuição vinha forte, encorajava a mão direita a cantar a dela. A esquerda, com medo, se encolhia em aviso. Incerto, corria para longe de si mesmo, mas deixava os ouvidos fazendo companhia. Ela achava que ele fechava os olhos pra imaginar. Criaram o talento de ir para mundos irreais, às vezes, mesmo sem notar, faziam um pouco de esforço e iam. E ninguém era capaz de trazê-los. O tempo, rendido, esperava.

Por alguns anos, ele mesmo esboçou uma eternidade com as letras. No quarto, esboçou as histórias, as ruas, as esquinas. Até que finalmente deixou borrar toda sua obra-prima em lágrimas, quando desiludiram sua inspiração. A família dela ia pra cidade maior, restavam as férias como despedida. Pousou duas fitas que abanavam os cabelos em suas mãos. Eu volto, desejou. E foi de vez, do lugar escondido pela própria geografia. As fitas eram pra não esquecer dela.

O quarto engasgado. O colégio esvaziando de gente, a cidade silenciando seu nome, e os vestígios dela sendo pouco a pouco arrastados pelos ventos nos lugares prediletos. Só não arrastaram os recados gravados em caneta vermelha acenando no caderno. As mensagens nas nuvens zombando distâncias, as fitas descolorindo na prateleira do quarto, e os telefonemas ocasionais, moinhos de ausências. Você lembra que eu te chamava de meu poeta? Eles nunca puderam confessar que se amavam.


Fernando Palma, Dezembro de 2007

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quinta-feira, outubro 06, 2005

Palavras Mudas - V

O ruído do ar-condicionado era impróprio ao silencio apreensivo do carro. Ele apenas aguardava as palavras dela, como quem aguarda uma sentença. Esperou. Esperou. A falta de diálogo aumentava seu incomodo, mas nada disse. O momento despertava insegurança, mas conteve a emoção em algum lugar incerto entre a garganta e o peito. A ausência de palavras dela o confundia. Os olhos que ele aprendera a desvendar carregavam uma paz incompreensível, pensou. Ela o tocou. Delicadamente, para somar surpresa. Respirou sem pressa. O olhou sem medo. E juntou à face uma daquelas expressões femininas indecifráveis, indescritíveis. Não era raiva. Mas também não sorria. Ele apenas continuou assistindo aos seus movimentos, tranqüilos. No fim de alguns segundos ela voltou a se mexer. O beijou, com sutileza. Na face. E saiu do carro calmamente ao invés de falar algo, virou de costas em vez de dizer adeus, encostou a porta em vez de batê-la. Ele continuava imóvel. Calado. E já não era mais forte o suficiente para esconder a emoção. Como poderia agir dessa maneira, como se nada estivesse acontecendo? Neste instante, só lhe restava observar, pela ultima vez, o andar lento dela até a porta de sua casa, o mesmo de sempre. O beijo tinha sido a despedida.

Era um fim de tarde cinza de domingo, a rua estava vazia, o vento forte anunciava a previsão de chuva para o começo da noite. Antes de dar partida ao carro e inundar seus olhos, ele pensou alguns minutos consigo. Nunca se sentira tão agredido em toda sua vida.

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sábado, agosto 27, 2005

Amor Proibido IV

É uma desordem dos tempos. Simples assim: hoje nós seríamos mais felizes no que nos faltou ontem. Mas o agora é nosso passado próximo que ainda não enxergamos, indeterminado. Eu não fui tão errado, nós não estamos tão errados, não escolhemos o tempo errado, o tempo também nos escolhe. Qualquer tempo é um início a menos que se deseje seu fim. Nós poderíamos até esquecer tudo isso que passou e eu ficava aqui brincando de ter treze anos e voltar a descobrir, lentamente, todos os seus traços que perseguiram os meus sonhos adolescentes. Então eu assistia todo esse filme recomeçar em algum lugar desconhecido entre seus olhos e o cinema que existe dentro destes - os meus. Perdoe-me se não escrevo nossa história como você acha que você teria escrito. Interpretar é isso, é acreditar. Você não entende porque acreditei em você, mas eu não acreditava era em mim. Eu te interpretei e fui culpado por essa inocência. Mas eu tinha mesmo que ter te perdido completamente para não ter que passar a vida inteira me cobrando que te perdi por pouco. Eu não fui forte. Forte como agora, como um pouco antes de agora, exatamente no instante que você me procurou. Depois daquele instante, meu corpo se desgarrou de um chão onde eu tinha me prendido nos últimos anos. Prendido tanto que já desconhecia a possibilidade de cortar minhas raízes dele. Eu quase voei. As sensações que me seguiram depois já foram bem diferentes - algumas foram carregadas de uma felicidade-infantil, outras vezes um pouco mais escuras e com uma dose moderada de tristeza justa; mas foram todas descendentes daquele mesmo instante -. Eu sei que você tem um medo escondido de me machucar, mas esquece que eu te entendo perfeitamente. Eu me desespero no seu equilíbrio-irresponsável. Nossa compreensão abastece minha capacidade de enxergar, mesmo tão distante, as respostas na profundeza de seus olhos. Se tirassem música de nossas conversas daria uma melodia suave. E o meu desejo de concluir nosso passado a escuta, em silêncio.

Agora, a minha sede de dias alegres disputa com essa distância cretina e uma razão inocente que você acha que afastam nossos caminhos. E eu fico aqui tentando lhe enviar poesias por nuvens e decifrar os seus próximos passos - que são leves como a sua voz ao telefone - enquanto o destino, senhor dos amores, brinca de fazer o tempo zombar de sentimentos.


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domingo, agosto 07, 2005

Palavras Mudas - III

O que nos faltou aprender sobre o outro? Não foi falta de entendimento que nos distanciou, foi o medo de entender. Nossos olhos entendidos, nossos corpos entendidos. O que a gente entende com o corpo não se traduz, seria mentir. Nós nos sobrecarregamos de traduções mal mentidas. Eu não te conheci pelas coisas que você me dizia, mas pelo desenho dos seus olhos que acompanhava tudo o que me dizia. Meu erro foi não ter descoberto antes que a verdade também estava na recíproca. Eu me atrasei com você, me perdoe. Eu te transbordei de palavras nos momentos que mais cabia meu abraço ao som do mesmo cd que sempre gostamos de ouvir juntos. E te abracei sem saber o que dizer quando você queria escutar, essas mesmas coisas para as quais sempre inventamos tantas mentiras. Depois da primeira vez que eu te abracei parece que meu corpo sofreu um impulso químico e absorveu um pouco da sua temperatura morna. E se habituou com esse aquecimento que ainda vive dentro de mim. Agora sofre crises de abstinência quando dá por sua falta. Se eu calasse não iria te ferir, me enganei. Nossas mentiras, na verdade, eram tentativas quase bem sucedidas de não nos machucar. É uma pena. Nós acabamos aprendendo a escutar nossas palavras mudas.

Coloco, agora, novamente o cd no som do meu carro até me dar o impulso de desligar na faixa que você sempre pedia para repetir. Não ponho outra. Deixo que o som e seus vestígios que insistem em morar dentro do meu peito, ambos, se calem. Nossas partes sobreviventes no corpo um do outro estão mesmo condenadas a este meu-seu eterno silêncio, ensurdecedor.

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sábado, julho 23, 2005

Amor Proibido - III

Eu queria escrever uma saudade alegre. Saudade de quando você ainda era uma ilusão boa. Escrever do seu sorriso que me matava. Eu queria escrever da fidelidade dos meus olhos a sombra dos seus movimentos. Queria poder escrever um livro inteiro com seus movimentos. Escrever uma saudade. Mas tocar nestes assuntos é beirar um precipício alto. Retornar na sua lembrança é como cair de cabeça. Então eu fico escondendo seus textos como quando evito a sua foto gravada no meu celular pela manhã para não ter que lembrar o dia inteiro que eu te esqueci. Perdoe-me por não ter lhe dito antes o que não tinha necessidade nenhuma de te dizer. Mas eu achava que algum momento da nossa historia iria nos unir . Eu devo ter começado a te amar assistindo a algum destes filmes de romance que agente vê na tv, antes mesmo de te conhecer. Depois que aconteceu passei o resto do tempo descobrindo os motivos. Um dia você acabou ficando real demais para mim. Então eu fico inventando essas lembranças adolescentes desenhadas nas linhas destes textos para que o cinema não se apague, a mocinha não perca seu encanto e eu não esqueça das cenas que eu mais gostei. Com o tempo eu acabei aprendendo que você não é o meu personagem-perfeito, mas foi o que existiu de mais próximo. Depois que eu perdi a sua ilusão eu acho que passei a gostar um pouco menos de cinema. E tenho desapego por romances. E um verdadeiro desprezo por contos de fadas. Eu podia ficar aqui escrevendo destas histórias que passaram terra-do-nunca que existiu dentro de mim todos aqueles anos. Eu podia escrever das cenas encantadas com trilha sonora do meu cd predileto que eu te dei de presente. Mas eu tenho uma vida real e às vezes temo que pensem que eu ainda acredito em romance de filme besta. Quando eu falo de você eu falo mesmo do meu lado mais besta .O meu lado impróprio a gostar de você de forma simples como em vida real. Falar de você é voltar a acreditar naquelas coisas que eu passo o tempo inteiro fingindo que não acredito mais. Falar de você é expor aqueles segredos que a gente guarda só para gente a vida inteira. É me dar chance de voltar lembrar das situações felizes que eu ainda não criei para nós dois. Falar de você é mais do que um despertar de lembranças irreais. É correr um risco assustador de ser bem entendido. Falar de você é vencer o meu medo de escrever.

Fernando Palma, Julho de 2005

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sexta-feira, julho 15, 2005

Aos meus dias que foram nossos

Me abraço, com força
No seu corpo ausente.
Uma ausência que, sem explicação, carrega seu cheiro
Ainda mais acentuado agora,
Na ausência.

Sinto você mais em mim
Em sua falta.
Lhe entendo mais hoje,
Do que quando tinha sua voz para me fazer compreender
Aquelas coisas que eu nunca entendi.

Te vejo em alguns lugares, e parece que você não foi a lugar nenhum.
Está aqui,
Mais próxima que naquele dia.
Havia algo de estranho em você...
Eu quase não te reconheci, naquele dia.

Não se impressione se não quiz te perguntar.
Existem coisas que não se perguntam, justamente porque ninguém quer
[responder.
Deve ter sido por isso que eu aprendi a ouvir o silêncio.

Tenho escutado muito ao silêncio ultimamente.

Tenho ignorado quem você foi e te lembrado como eu gostaria que fosse.
Tenho sido o que você gostaria que eu fosse, só para agradar a companhia doce
[da sua falta.
Conheço ainda mais as curvas do seu corpo agora, nas lembranças.
Observo ,sem cautela, a sua respiração, os seus traços...

Nós bem que poderíamos ser exatamente assim, como em sua ausência; bem
[diferente daquele dia.
Eu quase não te reconheci.

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sábado, julho 09, 2005

Palavras Mudas

Olhou-me,
Como se não compreendesse.
Num ritmo lento
De respirar.

A respiração dela desregulava a minha.

Tentou me agradar.
Tentou dizer algo.
Me abraçar.
Carregava uma tristeza no olhar.

Eu nuca vira tristeza tão bela.

Tentei lhe falar.
As palavras não vinham.
Forcei-as,
Não consegui explicar.
Não queria explicar.
Então silenciei.

Ela sempre entende meu silêncio.

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