sexta-feira, setembro 30, 2005

Leila escreveu pra mim

O texto original - com imagem - está no site Focando


Fernando
"É fácil ser um paradoxo, ser outra pessoa, quando o cotidiano fecha o cerco e conduz a um beco sem saída. Desviar-se dos detalhes é mais complexo, desviar-se do mundo, olhar de cima, dono de asas...
Um dia inteiro e sua claridade para curar dores, pequenos gestos a preencher vazios. Ninguém se mostra, o padrão ordena olhos pesados e tempo escasso.
Algum presságio resta. Inexiste compreensão fácil. Neste sinal não há mesquinhez, nenhuma mácula no papel invisível. São poucos os avisos claros, e nem sempre há quem ouça o momento ou quem divida o conselho sagrado. Um desconforto e normas costumeiras já estabelecidas.
Lindo o dia e uma voz leve em meus devaneios, sinal de esperança que sorri, e é injusto não registrar certas passagens da vida.
Presença nova, o mesmo que uma janela solitária, entreaberta, antiga, esperando alguém abrir por completo e respirar o sol da manhã.
São tuas palavras mansas provando que há equilíbrio, insinuando um tempo melhor, compensação de males. É doce o olhar deste moço de palavras sutis, enverdecidas, interrompem um gesto mais rude, apaziguam o espaço, embaraçam a solidão, e melhor, emprestam sentido às faltas mórbidas."
Leila Lopes 27/09/2005

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Envelhecer

"O homem só envelhece quando nele os lamentos substituem os sonhos" (Jonh Berry)

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segunda-feira, setembro 26, 2005

Baseado em e-mails reais - II

A dor do que não vivemos nos invade como veneno, no início incomoda um pouco, até chegar ao ponto que não resistimos mais. Os álbuns antigos colecionam espaços em branco das fotografias que ainda não completei. A trilha que leva à felicidade é longa, aí inventamos receitas de caminhos curtos que nos curem de desesperos com doses sazonais de infelicidade-saudável. O comodismo é nosso médico. Há perigos nas estradas, L. Não é algo simples seguir por estes caminhos. Sou uma pessoa que se perde com facilidade, ando desencontrado tentando adivinhar exatamente onde não devo parar. Meu andar era apressado, veja que desperdício. Inocente, cheio de sede de chegar ao desconhecido, escolhendo superfícies rígidas que me traziam um conseqüente caminhar depressa. O olhar para trás me tomava essa sensação vazia de que não deixara minhas pegadas, por maior que fosse a firmeza no pé. Eu me tranquei. Construí abrigo em lugares isolados na beira dos caminhos. Sobrevivi. Um dia, destruí o abrigo e suspirei um novo rumo. Tem certos momentos na vida que você tem que se desfazer do que construiu ou viverá para sempre em pequenos lugares isolados. Sim, sim, a solidão também acostuma, L. Parar é regredir. Não fique triste se enxerga estas coisas ruins, nós temos que viver o lado errado para ter certeza que não vamos querer fazer parte dele. Com o tempo você aprende que ou você tenta ensiná-los a ser feliz ou corre o risco que eles te ensinem a não ser. Eles cortam suas asas e te pedem para voar. Não os culpe, agora. Quando a gente quer bem a alguém acabamos por lhe fazer mal de vez em quando, olha só que engraçado. Não tema o que deseja, não há o que dar errado quando seguimos o que realmente queremos. Não me importo mais agora, desaprendi meus destinos e sei que tenho caminhos onde possa afundar meus pés e deixar um olhar atento ao que passa por eles. Já posso ver os pôr- dos- sóis, os olhares felizes, as pessoas e até estes abraços de palavras que caem em sua caixa de e-mail nos meados de noites pacatas de semanas comuns. Não fujo dos tempos ruins. Existem tempestades, não nego, mas vejo sonhos se diluírem em pequenas nuvens. Sim, sim, a gente aprendeu a temer temporais quando vê um simples céu nublado, L. Hoje eu queria ouvir as crianças porque sei que elas sabem como brincar na chuva. Eles não conhecem as virtudes dos jovens. Eles nos enganam de seus próprios enganos, nos fazem não acreditar no que fingem que não acreditam. A vida é um jardim, o desejo é o jardineiro. Razão não deve inibir felicidade. Eles nunca vão entender. O único lugar que se pode ir além é dentro de você, L. Desejar é ter razão.


Ps: Baseado em minhas correspondências com Leila.

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Conversas com Doce - II

Um momento especial não é medido pelo que acontece, mas com quem acontece.


Adaptado de uma frase que ela me disse .

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sábado, setembro 24, 2005

Conversas com Bruno - II

Na mesa de bar...

-Verdade... Melhor forma de se conhecer uma pessoa é no seu estado mais natural. Bêbada!

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terça-feira, setembro 20, 2005

Baseado em e-mails reais - I

Há mais saudades do que palavras que caibam nestes dias que te escrevo. Passa um filme do tempo presente aos meus olhos e eu ainda não consegui sentir que faço parte dele. Porque alguém trocou o começo, porque eu imaginava uma continuação diferente, porque me sinto em um tempo errado. Sabe, ainda guardo aquele passado em alguns cantos [secretos] que o escondem desse tempo-presente estranho, juntando alguma esperança de voltar a precisar dele (mesmo tendo impressão que é inútil a quem está a meu redor). Não é má vontade, mora em mim sem que eu queira, como uma canção que não sai de sua memória e incomoda de pensar em outra coisa. Nasce no peito, aperta a garganta. Às vezes, não resisto e deixo espelhar nos olhos. Não sei como dizer, dói agora. Queria poder te escrever algumas linhas vazias que pudessem traduzir. Uma ausência de expressão que você pudesse entender. Um espaço sem palavras onde você pudesse enxergar...

Ps: Adaptado de um e-mail antigo de uma pessoa especial para mim, a quem admiro muito.

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Conversas com Bruno - I

É que tem gente que pensa que sonhar é dormir à noite, que ser amigo é fazer companhia, e que amor verdadeiro é coisa de novela.

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sábado, setembro 17, 2005

Pensamentos Soltos - III

Ignorar que se ama alguém ainda é uma forma de amar.

Mentiras em silêncio também doem.

A melhor forma de resgatar um passado é seguindo em frente.

O que você passa muito tempo desejando já é um pouco seu sem que perceba.

O que você admira muito em uma pessoa está, também, dentro de você.

O maior apelo é a ausência dele.

Os olhos são bocas velozes.

As pessoas que te rodeiam hoje são um reflexo do que você foi ontem.

Eu obedeço quando não consigo criar uma maneira melhor.

A intensidade é o equilíbrio da felicidade.

Todos os medos descendem do medo da morte.

O maior traidor é o que é capaz de enganar a si próprio.

A maior loucura é optar pelo comum.

Cuidado ao comprar uma verdade que custe caro, pode ser falsificada.

Não passe muito tempo sendo uma pessoa que não seja você. Você pode se confundir com ela .


Ps: Alguns já coloquei nos textos, outros não.

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terça-feira, setembro 13, 2005

O tempo e os sonhos - III

O mais difícil é aprender que você também pertence aos seus sonhos. A maioria só aprende o contrário. Eu quero escorregar para fora de mim para reencontrar o que tenho por dentro. Redescobrir alguém que talvez ainda seja parecido com um menino que, um dia, achei que deveria deixar de ser. Há certos momentos na vida que seguir o que está ao seu redor é perder o que existe de melhor de si. Deve haver algum lugar no mundo que não precise de asas para voar, onde eu não tenha que perder os defeitos que não tenho. É preciso acreditar no melhor de nós antes que o melhor de nós deixe de acreditar na gente. O meu lado melhor nem sabia que eu existia.

CLIQUE PARA LER O TEXTO COMPLETO>>

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domingo, setembro 11, 2005

O tempo e os sonhos - II

Cansei de ter medo. O medo é fiel a quem foge dele, é na coragem que o medo se desespera. Hoje eu queria ir além. Não me pergunte onde, às vezes desejamos algo com muita intensidade mesmo sem saber exatamente o que. Preciso me superar para continuar o mesmo. Deve haver algo a mais, mais distante, mais intenso, mais vivo. Mais. Não sei explicar. É como alegria de viver de um menino pequeno, o mistério do universo, a coincidência do toque do telefone quando mais o espera, o pavor da morte, o sorriso no canto dos olhos dela. Chega. Não vou falar de amor. A forma que eu amo estas metáforas, analogias e artifícios literários ainda não alcançaram. Também não é amar que desejo agora. É mais. Preciso de diferença. De uma maneira. De sonho. De. Não é loucura, loucura maior é optar pelo comum. Deus, será que o sonho é uma realidade subestimada? Será a realidade um sonho acostumado? Não sei mais distinguir o que existe ou não. O que existe também engana e há mais desculpas esfarrapadas andando por aí do que respostas. Eu fiz um caminho. Cheguei. E agora? Não há nada a desejar que não possa ser alcançado. O que a gente passa muito tempo desejando já é um pouco nosso sem que agente perceba. Quero mais. E não quero pouco, nem moderado. A intensidade é a moderação da felicidade. Quero estrelas, quero vento, quero nuvens, quero um final que compense a quem lê estas linhas que não falam nem disto, nem daquilo, nem de nada. Mas o que desejo agora também não faz sentido. Hoje eu queria ir além.

Ps: Este texto é uma adaptação de uma conversa com um amigo.

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sábado, setembro 10, 2005

A Solidão - III

E ela passava os dias sentindo uma falta. Muita falta. E aumentava quando era noite. Não sabia porque. Uma ausência forte. Uma sede. Insaciável. Que nascia nela. Não sabia de onde. Uma saudade. Exagerada. Não sabia de quem.

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sexta-feira, setembro 09, 2005

Conversas com Doce - I

(...) É que uma boa maneira de encontrar o verdadeiro equilíbrio é vivendo os dois extremos.

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quarta-feira, setembro 07, 2005

Pequenas histórias de colégio - I

-Dudu, me empresta sua borracha. – apanhava-a entre as diversas que carregava em seu estojo infestado de materiais . Quem fazia o pedido – que soava quase uma ordem - era o colega mais popular da sala. Jamais tinham contato fora destas situações.
Na verdade, era o único motivo que fazia alguém chamar pelo seu nome naquela classe. Talvez, não fosse pelas notas divulgadas com ênfase pela professora e pelos seus materiais emprestados nem o lembrariam. Quando não por uma destas duas razões seu nome entrava mesmo em desnecessidade de ser chamado.
-Equipes de cinco pessoas - anuncia a professora, para preocupação de Dudu. Os grupos bem previsíveis daquela turma se formavam já que quase espontaneamente. Dudu podia adivinhar as formações, assim como prever que ele não cabia em nenhuma delas. Não que não quisesse participar, mas era exatamente o contrário. A única coisa que aprendera sobre grupos naquele tempo é que ele ficava fora deles.
Eduardo era um exemplo da sala. O primeiro aluno. Em casa o centro de atenções "Só tira dez!" exibia-o aos amigos o pai nos fins de semana embriagado mais de orgulho do que da própria cerveja. Mas Dudu só não entendia porque não agradava aos de sua idade. Talvez por culpa de alguns garotos que o judiavam com apelidos. A professora então, o defendia “É apenas um menino inteligente!” Inteligente era um tipo de criança distinta que prestava atenção na aula, que não jogava bola e nem falava palavrão. Mas apesar disso ele era um bom amigo, um menino legal, imaginava consigo. Só que ninguém tinha descoberto ainda.
-Dudu vai entrar na equipe de vocês, ok? - A professora resolveu enfim, fazer o que ele já esperava.
Aproximo-se daquela equipe que estava, até então incompleta. Se antes, estava distante de todos calado, agora permanecia próxima aquele grupo que acabara de entrar. Mesmo que fosse para continuar calado.
Chegava o horário do intervalo, conclui ao consultar seu relógio. Todos os dias planejava como ocupar aqueles exatos trinta minutos. Tiraria algumas dúvidas da lista com a professora, mais algum tempo para o lanche, calculava. A preocupação era para não restar tempo desocupado em que houvesse chance de se sentir só durante o intervalo.
Neste tempo então, Dudu aprendeu que não bastava ser um bom menino para fazer amizades, tinha que ter também o talento de saber ser reconhecido. Aprendeu que não basta estender mão para ganhar a gratidão. Aprendeu que fazer amigos era como resolver questões de MMC. Requer prática. E aprendeu que é estando sozinho que mais se aprende essas coisas complicadas sobre amizade.
O toque do sinal era acompanhado pela movimentação brusca das carteiras e pela fidelidade de Dudu à mesa da professora.
-Tia, você pode tirar algumas dúvidas da minha lista?
Neste tempo, Dudu também aprendeu a gostar de matemática.

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domingo, setembro 04, 2005

Vida

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe"
Oscar Wilde

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