segunda-feira, abril 18, 2011

Amor Proibido - II


E quando muito queria lhe dizer algo, fazia silêncio. Assim, ele se inventou dentro de mim, por mais que tentasse reprimi-lo. Meu silêncio declarou meu amor mesmo quando eu ainda tinha medo. Meu silêncio lhe recitou versos antes de eu começar a tentar a poesia. Meu silêncio balbuciava o seu nome, mesmo quando você não estava por perto. Mas meu silêncio ficava ainda mais engrandecido quando eu falava com você. Estranho? 
Quando agente conversava, eu também estava fazendo silêncio.

Fernando Palma


Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas.


Texto publicado originalmente em Junho de 2005


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terça-feira, novembro 23, 2010

Amor Proibido - VI

Deixo sua lembrança me amanhecer. Abrevio sua face à cabeceira da cama. O dia já não é um qualquer, chega com maior riqueza de significados e até o silencio parece querer me dizer algo. É uma agressão tentar não pensar em você. Infantilizo sentimentos pela manhã para brincarmos de nos desejar pela tarde. As mãos dos meus olhos corrompem distâncias para tocar o seu corpo, ultrapassam qualquer lei existente na física, meu suspiro é minha voz sonolenta tentando te dar um bom dia. Esqueço o relógio, o tempo que você mora dentro de mim não pode ser medido por minutos, o tempo que eu te esqueci foi só uma maneira de te amar mais. Excedo-me para pagar os desejos atrasados, quero te confessar as mais reprimidas vontades que me tomaram de vez em quanto, por todos esses anos. Eu estou atrasado na sua vida, mas estou na sua vida. E agora não somos mais reféns do que aconteceu, somos donos do que estar por acontecer.


Fernando Palma


Ps: texto de setembro de 2006.






Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 

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domingo, outubro 11, 2009

O Paraíso



O dia amanhece escutando música. Ele mal conseguiu dormir, mesmo assim acorda renovado, como nunca antes. Ela finge que não dá bola, mas deixa escapar  o riso que não conseguiu disfarçar quando ele chegou perto. Eles se protegem, mas se denunciam. Mas não é o tipo de denuncia que condena ou aprisiona, ao contrário: liberta. Se ela sente o mesmo, ainda é uma dúvida, ele calcula. Alguns podem dizer, mas será dúvida. E mais sincero assim: na incerteza. Eles nunca irão adivinhar. Ele pode lhe dizer algo em um mometo-qualquer-semi-planejado, ela percebe. Mas não liga se não disser nada, contenta-se com a espera. Eles consentem. Os minutos não passam, o filme que muda de cena. Ela volta nos melhores momentos: a canção. A vida não acaba, apenas a história. O telespectador não cansa de repetir.



Se eu pudesse escolher para onde ir depois da morte, me transformaria em uma trilha sonora, me enviaria para o cinema, num destes filmes juvenis, onde a conquista é a maior preocupação da existência, a felicidade é besta, a repetição agrada, o choro é mais belo do que triste, os personagens permanecem jovens para sempre. E se um por algum motivo, um dia, por um incidente, sentisse que a história acabou, simplesmente voltaria para o início, e faria tudo acontecer novamente. O paraíso é  um eterno filme de paixão adolescente. 



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sexta-feira, novembro 04, 2005

Amor Proibido - V

Re-adaptação de um rascunho escrito em Janeiro/2003





Foi como seguir uma estrada onde não existe desvios, nem atalhos. Eu nunca escolhi que acontecesse, te descobri como uma criança que aprende os primeiros passos, instruído a seguir seus movimentos, desenhar seus traços com a fôrma de sua voz, arriscar os primeiros olhares sem entender ao certo o significado. Fui alfabetizado. Graduei-me para atrair sua atenção, e sua atenção me fez desviar os gestos e caminhos que não apontavam em sua direção - quando se está apaixonado, o que menos importa é o resto do mundo -. Minha amizade foi, de todas, a melhor criação ao seu lado, quase uma obra de arte adolescente, disfarce ideal a quem ousa ir adiante sem ser notado. Abasteci meu desejo, sem saber exatamente o que usar como combustível, te transformei em um segredo sem chave para esconder de todos o que sempre esteve estampado em meus olhos. Minha dor é o cofre que guarda nossa história. Tranquei os beijos, o nosso amor, as promessas, dias só nossos. Guardo o que não aconteceu. Aperfeiçoei-me de você para tentar te conquistar, nadei contra correntezas mesmo sem ter a capacidade de nadar, fui ao lugar mais distante de mim sem decorar o caminho de volta. O amor não usa mapa. Hoje, meu corpo não a procura mais como aventura, abrigo. Aguarda nosso próximo episódio como um recém-nascido que desconhece a vida. Adivinho nosso destino em canções. A insistência em te esquecer é a inutilidade de me provar que você venceu todo esse mau tempo, os monstros e demônios que eu enviei para te destruir. E agora, radiante, sobrevive dentro de mim.


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quinta-feira, outubro 06, 2005

Palavras Mudas - V

O ruído do ar-condicionado era impróprio ao silencio apreensivo do carro. Ele apenas aguardava as palavras dela, como quem aguarda uma sentença. Esperou. Esperou. A falta de diálogo aumentava seu incomodo, mas nada disse. O momento despertava insegurança, mas conteve a emoção em algum lugar incerto entre a garganta e o peito. A ausência de palavras dela o confundia. Os olhos que ele aprendera a desvendar carregavam uma paz incompreensível, pensou. Ela o tocou. Delicadamente, para somar surpresa. Respirou sem pressa. O olhou sem medo. E juntou à face uma daquelas expressões femininas indecifráveis, indescritíveis. Não era raiva. Mas também não sorria. Ele apenas continuou assistindo aos seus movimentos, tranqüilos. No fim de alguns segundos ela voltou a se mexer. O beijou, com sutileza. Na face. E saiu do carro calmamente ao invés de falar algo, virou de costas em vez de dizer adeus, encostou a porta em vez de batê-la. Ele continuava imóvel. Calado. E já não era mais forte o suficiente para esconder a emoção. Como poderia agir dessa maneira, como se nada estivesse acontecendo? Neste instante, só lhe restava observar, pela ultima vez, o andar lento dela até a porta de sua casa, o mesmo de sempre. O beijo tinha sido a despedida.

Era um fim de tarde cinza de domingo, a rua estava vazia, o vento forte anunciava a previsão de chuva para o começo da noite. Antes de dar partida ao carro e inundar seus olhos, ele pensou alguns minutos consigo. Nunca se sentira tão agredido em toda sua vida.

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sábado, agosto 27, 2005

Amor Proibido IV

É uma desordem dos tempos. Simples assim: hoje nós seríamos mais felizes no que nos faltou ontem. Mas o agora é nosso passado próximo que ainda não enxergamos, indeterminado. Eu não fui tão errado, nós não estamos tão errados, não escolhemos o tempo errado, o tempo também nos escolhe. Qualquer tempo é um início a menos que se deseje seu fim. Nós poderíamos até esquecer tudo isso que passou e eu ficava aqui brincando de ter treze anos e voltar a descobrir, lentamente, todos os seus traços que perseguiram os meus sonhos adolescentes. Então eu assistia todo esse filme recomeçar em algum lugar desconhecido entre seus olhos e o cinema que existe dentro destes - os meus. Perdoe-me se não escrevo nossa história como você acha que você teria escrito. Interpretar é isso, é acreditar. Você não entende porque acreditei em você, mas eu não acreditava era em mim. Eu te interpretei e fui culpado por essa inocência. Mas eu tinha mesmo que ter te perdido completamente para não ter que passar a vida inteira me cobrando que te perdi por pouco. Eu não fui forte. Forte como agora, como um pouco antes de agora, exatamente no instante que você me procurou. Depois daquele instante, meu corpo se desgarrou de um chão onde eu tinha me prendido nos últimos anos. Prendido tanto que já desconhecia a possibilidade de cortar minhas raízes dele. Eu quase voei. As sensações que me seguiram depois já foram bem diferentes - algumas foram carregadas de uma felicidade-infantil, outras vezes um pouco mais escuras e com uma dose moderada de tristeza justa; mas foram todas descendentes daquele mesmo instante -. Eu sei que você tem um medo escondido de me machucar, mas esquece que eu te entendo perfeitamente. Eu me desespero no seu equilíbrio-irresponsável. Nossa compreensão abastece minha capacidade de enxergar, mesmo tão distante, as respostas na profundeza de seus olhos. Se tirassem música de nossas conversas daria uma melodia suave. E o meu desejo de concluir nosso passado a escuta, em silêncio.

Agora, a minha sede de dias alegres disputa com essa distância cretina e uma razão inocente que você acha que afastam nossos caminhos. E eu fico aqui tentando lhe enviar poesias por nuvens e decifrar os seus próximos passos - que são leves como a sua voz ao telefone - enquanto o destino, senhor dos amores, brinca de fazer o tempo zombar de sentimentos.


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sábado, julho 23, 2005

Amor Proibido - III

Eu queria escrever uma saudade alegre. Saudade de quando você ainda era uma ilusão boa. Escrever do seu sorriso que me matava. Eu queria escrever da fidelidade dos meus olhos a sombra dos seus movimentos. Queria poder escrever um livro inteiro com seus movimentos. Escrever uma saudade. Mas tocar nestes assuntos é beirar um precipício alto. Retornar na sua lembrança é como cair de cabeça. Então eu fico escondendo seus textos como quando evito a sua foto gravada no meu celular pela manhã para não ter que lembrar o dia inteiro que eu te esqueci. Perdoe-me por não ter lhe dito antes o que não tinha necessidade nenhuma de te dizer. Mas eu achava que algum momento da nossa historia iria nos unir . Eu devo ter começado a te amar assistindo a algum destes filmes de romance que agente vê na tv, antes mesmo de te conhecer. Depois que aconteceu passei o resto do tempo descobrindo os motivos. Um dia você acabou ficando real demais para mim. Então eu fico inventando essas lembranças adolescentes desenhadas nas linhas destes textos para que o cinema não se apague, a mocinha não perca seu encanto e eu não esqueça das cenas que eu mais gostei. Com o tempo eu acabei aprendendo que você não é o meu personagem-perfeito, mas foi o que existiu de mais próximo. Depois que eu perdi a sua ilusão eu acho que passei a gostar um pouco menos de cinema. E tenho desapego por romances. E um verdadeiro desprezo por contos de fadas. Eu podia ficar aqui escrevendo destas histórias que passaram terra-do-nunca que existiu dentro de mim todos aqueles anos. Eu podia escrever das cenas encantadas com trilha sonora do meu cd predileto que eu te dei de presente. Mas eu tenho uma vida real e às vezes temo que pensem que eu ainda acredito em romance de filme besta. Quando eu falo de você eu falo mesmo do meu lado mais besta .O meu lado impróprio a gostar de você de forma simples como em vida real. Falar de você é voltar a acreditar naquelas coisas que eu passo o tempo inteiro fingindo que não acredito mais. Falar de você é expor aqueles segredos que a gente guarda só para gente a vida inteira. É me dar chance de voltar lembrar das situações felizes que eu ainda não criei para nós dois. Falar de você é mais do que um despertar de lembranças irreais. É correr um risco assustador de ser bem entendido. Falar de você é vencer o meu medo de escrever.

Fernando Palma, Julho de 2005

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sexta-feira, julho 15, 2005

Aos meus dias que foram nossos

Me abraço, com força
No seu corpo ausente.
Uma ausência que, sem explicação, carrega seu cheiro
Ainda mais acentuado agora,
Na ausência.

Sinto você mais em mim
Em sua falta.
Lhe entendo mais hoje,
Do que quando tinha sua voz para me fazer compreender
Aquelas coisas que eu nunca entendi.

Te vejo em alguns lugares, e parece que você não foi a lugar nenhum.
Está aqui,
Mais próxima que naquele dia.
Havia algo de estranho em você...
Eu quase não te reconheci, naquele dia.

Não se impressione se não quiz te perguntar.
Existem coisas que não se perguntam, justamente porque ninguém quer
[responder.
Deve ter sido por isso que eu aprendi a ouvir o silêncio.

Tenho escutado muito ao silêncio ultimamente.

Tenho ignorado quem você foi e te lembrado como eu gostaria que fosse.
Tenho sido o que você gostaria que eu fosse, só para agradar a companhia doce
[da sua falta.
Conheço ainda mais as curvas do seu corpo agora, nas lembranças.
Observo ,sem cautela, a sua respiração, os seus traços...

Nós bem que poderíamos ser exatamente assim, como em sua ausência; bem
[diferente daquele dia.
Eu quase não te reconheci.

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sábado, julho 09, 2005

Palavras Mudas

Olhou-me,
Como se não compreendesse.
Num ritmo lento
De respirar.

A respiração dela desregulava a minha.

Tentou me agradar.
Tentou dizer algo.
Me abraçar.
Carregava uma tristeza no olhar.

Eu nuca vira tristeza tão bela.

Tentei lhe falar.
As palavras não vinham.
Forcei-as,
Não consegui explicar.
Não queria explicar.
Então silenciei.

Ela sempre entende meu silêncio.

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domingo, junho 12, 2005

Pulso

No mesmo lugar
Ela, a mesma
O sorriso o mesmo
Suas mãos seguravam
da mesma forma
Não eram as minhas, desta vez

Você consegue entender?

Um dia, me lembro
Ela
teve medo
Meus braços a contornaram
Num abraço
Com esmero
A acalmando
Hoje, eu tive medo
Quem irá me acalmar ?

Você consegue notar?

Essa inquietação
nas palavras
Estes versos
Num ritmo
Repetidos
Sem rima
Não é prática literária

É o meu coração
Batendo
Em desespero
Partido

Você consegue sentir?

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