terça-feira, abril 26, 2011

Pequenos Poemas

Brincadeira de Criança






Estico os dedos para alcançar por dentro.


Brinco de esconder,
procuro novo de mim.


Há mais esconderijos que olhos,
não sou capaz de me encontrar.


Todos que fui
ainda não me acharam.


Brinco de perder-me,
brinco de desorganizar,
brinco de inverter
brinco de desorganizar,
brinco de perder-me,

Estico os dedos para encontrar esconderijos.


Brinco de novo de mim
procuro me esconder.


Há olhos por dentro que alcançam
quem ainda não fui capaz de ser.


Todos que me achei
ainda não fui.

Fernando Palma

Marcadores: , , ,

quinta-feira, abril 21, 2011

Clarice Lispector



"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Clarice Lispector

Marcadores: , , , ,

segunda-feira, abril 18, 2011

Amor Proibido - II



E quando muito queria lhe dizer algo, fazia silêncio. Assim, ele se inventou dentro de mim, por mais que tentasse reprimi-lo. Meu silêncio declarou meu amor mesmo quando eu ainda tinha medo. Meu silêncio lhe recitou versos antes de eu começar a tentar a poesia. Meu silêncio balbuciava o seu nome, mesmo quando você não estava por perto. Mas meu silêncio ficava ainda mais engrandecido quando eu falava com você. Estranho? Quando agente conversava, eu também estava fazendo silêncio.

Fernando Palma

Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 



Texto publicado originalmente em Junho de 2005



Marcadores: , , , , , ,

sexta-feira, abril 15, 2011

Um Pouco de Infância e Alguns Ventos - I

sexta-feira, abril 08, 2011

Danii IV - Afinal, quem é Danii?




A sensação Danii





Pablo Picasso, Mulher Ao Espelho, 1932



Quando eu acordo ela já está cutucando o dia, encostada no travesseiro dobrado, apoiado na cabeceira da cama. Ela larga o notebook e olha pro meu rosto buscando qualquer expressão, sem notar que eu abri os olhos e voltei a dormir, depois de avaliar alguns segundos se havia sono. A verdade é que talvez ela já tenha desvendado este meu pequeno segredo de nossa rotina: o de disfarçar ao despertar para dormir novamente. Mas não o que ainda estou por revelar: o quanto um homem se torna feliz por este simples instante. É  lúcida representação do amor estável, que não falha quando você se distrai, tropeça ou descansa, pelo fato ingênuo de, pacientemente, o aguardar despertar. Sensação de quem te aconchega, e o suprime com um alimento da felicidade de alguns segundos, matando de fome qualquer tristeza no início de um dia. Um extermínio à solidão de qualquer homem. Acho que isso sintetiza o sentimento que há tempos tento transcrever em um "novo Danii". Este ínfimo intervalo do nosso convívio. Quando tentei escrever para ela pela primeira vez, eu me lembro de ter buscado uma definição e acabei mudando a prosa e caindo em segunda pessoa, uma pena. Esta é a minha estréia em terceira. É diferente de tudo que fiz e um pouco mais atrevido: já fui motivador, um apaixonado declarado, pescador de translações que caibam no nosso afeto jovem, sabiamente tolo, com detalhes só nossos. Hoje, neste instante, sou simplesmente um narrador de Danii. E definir Danii não é como descrever afeição, semblante e expressão, ou delinear nestas letras de forma as suas fórmulas que me agradam e deduzem por completo a minha equação. É justamente o oposto. É, em vez disso, [acreditem] falar mais de mim, do que dela mesma: vejam que incoerência de terminações. Não é a pessoa Danii, mas a sensação Danii que eu estou me referindo. É como tentar definir uma alegria minha em olhar para frente, fazer planos em papel de presentes a cada dia três do mês, nosso momentos, agrados, minha maneira secreta de chamá-la, sonhos meio extrovertidos transcritos em palavras no meu blog, ansiando a aprovação dela nos minutos seguintes. É apenas e completamente isso. Eu podia ficar aqui tentando escrever diversas sentidos implícitos bonitos para definir quem ela é, inspirar metáforas em autores e analogias leves, como suas mãos me tocando ao acordar. Mas esse texto não é para exibir seus detalhes íntimos, ou expor sua aparência que pertence só a mim. Isso aqui é só para resumir este intervalo trivial, enquanto durmo, idealizando a sua companhia premeditada, todas vezes em que eu sacio sua espera e abro os olhos, em nossas manhãs únicas, intermináveis. Danii é o nome que eu dou a minha alegria com meu próprio futuro. 

Fernando Palma

Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 

Marcadores: , , , , ,

quinta-feira, abril 07, 2011

Adelmenito

Texto de Vitor Freire

"Adelmenito sabe quando não sabe das coisas. E se você permitir pensar bem sobre, vai ver formosura nisso. Cresceu assim, de menino que vai ser para jovem olha como tá sendo. O futuro ainda não tinha alinhado, porque o futuro que a gente espera não dá carona. Futuro não é trêm que se espere, dizia o povo de Jabaquara. Antes as coisas sabidas do povo de Jabaquara ou Amargosa eram sempre dadas de abobinhagem. Até que Adelmenito chegou na cidade trazendo de inteligência as prosas das outras cidades. Não que ele tivesse nascido por aí, mas ele era bom de ouvir. Quem sabe quando não sabe costuma ser bom ouvidor. Era assim, aprumando as pensatas nos bolsos, que ele chegou na hospedagem de quem é de faculdade. Esse povo da faculdade é sempre vindo de outros cantos. Até acharam bom quando subiu a tijolada, mas hoje já ouve-se o lamurinho de pé-de-praça: pra quê se as sabedorias não ficam na cidade? Vem de fora, fica um tempinho, e vai-se embora assim que pega o papelete. Numa dessas lamurinhêras, um tonto deu grandeza para uma tolice contra a faculdade. Foi um rebuliço. O tonto colocou sangue nos olhos daquele povo, arrepiado das entranhas, fizeram chame-chame, sanguizêra, bacurinhação e pedregulhada. Pela desgraça dos azares, a falta de sorte tropeçou Adelmenito, justo o do não-saber. Se eu tivesse só dois olhos, falaria o que tinha acontecido. Mas como vem outras coisas no corpo da gente, bagunçando o coreto das sensações, não sei para onde foi. Tinha aquele cheiro de dor com sangue esmagado. Aquela dor que não é justa, que não tem pertencimento, que nasce sempre de alguma desgraça órfã, pedindo esmola nas ladeiras do peito. Tinha tudo pra ser, falou um remelento arrependido.
CLIQUE PARA LER O TEXTO COMPLETO>>

Marcadores: , , , , , , ,

Frases de Pensadores - VI



"Devia haver um curso no primeiro grau de amor."

Andy Warhol

Marcadores: ,

sábado, abril 02, 2011

Frases de Pensadores - V





"‎O melhor aço tem que passar pelo fogo mais quente."




Richard Nixon

Marcadores: , , ,