segunda-feira, abril 18, 2011

Amor Proibido - II


E quando muito queria lhe dizer algo, fazia silêncio. Assim, ele se inventou dentro de mim, por mais que tentasse reprimi-lo. Meu silêncio declarou meu amor mesmo quando eu ainda tinha medo. Meu silêncio lhe recitou versos antes de eu começar a tentar a poesia. Meu silêncio balbuciava o seu nome, mesmo quando você não estava por perto. Mas meu silêncio ficava ainda mais engrandecido quando eu falava com você. Estranho? 
Quando agente conversava, eu também estava fazendo silêncio.

Fernando Palma


Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas.


Texto publicado originalmente em Junho de 2005


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sexta-feira, abril 15, 2011

Um Pouco de Infância e Alguns Ventos - I





“E depois?” “As estrelas.” “E depois das estrelas?“ “As estrelas das estrelas...” “E depois?” Risos. “Ah, não sei. Vira pra cá, vai... Você me deixa escrever seu rosto?” “E como é isso de escrever um rosto hein?” “É o mesmo que desenhar. Só que por dentro.”


Fernando Palma









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terça-feira, novembro 23, 2010

Amor Proibido - VI

Deixo sua lembrança me amanhecer. Abrevio sua face à cabeceira da cama. O dia já não é um qualquer, chega com maior riqueza de significados e até o silencio parece querer me dizer algo. É uma agressão tentar não pensar em você. Infantilizo sentimentos pela manhã para brincarmos de nos desejar pela tarde. As mãos dos meus olhos corrompem distâncias para tocar o seu corpo, ultrapassam qualquer lei existente na física, meu suspiro é minha voz sonolenta tentando te dar um bom dia. Esqueço o relógio, o tempo que você mora dentro de mim não pode ser medido por minutos, o tempo que eu te esqueci foi só uma maneira de te amar mais. Excedo-me para pagar os desejos atrasados, quero te confessar as mais reprimidas vontades que me tomaram de vez em quanto, por todos esses anos. Eu estou atrasado na sua vida, mas estou na sua vida. E agora não somos mais reféns do que aconteceu, somos donos do que estar por acontecer.


Fernando Palma


Ps: texto de setembro de 2006.






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domingo, outubro 18, 2009

O Ministério da Saúde Adverte: ame com moderação. O consumo excessivo pode causar danos irreparáveis.









I



“E amanhã...

Vou querer mais.

E depois de amanhã

mais .

E depois

mais.

E mais...


E você?”



“Perdoe-me,

mas é que eu só amo de vez em quando.

Não sou viciado.”



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terça-feira, junho 12, 2007

Danii






Decifre o acaso para adivinhar nosso destino. Observe o dia que te pede atenção. Não leve o tempo a serio, jogue fora o relógio, chegue mais perto. Vamos brincar de ter treze anos. Sorria. Conte-me tudo que já viveu, mas não tenha pressa. Repita isso que acabou de fazer. Faça algo que nunca pensou antes. Ajude a nutrir este meu vício infantil de exagerar. Sorria, Danii, eu sei que você também gosta de sonhar meus sonhos. Coloque nossas musicas para tocar, lembre nossas palavras, não esqueça dos espaços vazios entre as palavras. Nosso silêncio também deixou suas marcas, Danii. Sorria. Preste atenção quando eu não te disser nada. Esqueça que já teve medo, esqueça todo o resto, seja educada com o dia que te pede atenção. Ofereça algo para retribuir. Feche os olhos, feche-os e enxergue um pedaço de história. A história que só nós dois conhecemos os detalhes. Só nós somos donos de nossos detalhes, Danii, sempre seremos, perceba o que acontece, sorria. Esqueça que já teve medo, aprenda tudo novamente. Depois me ensine o que aprendeu. Chegue mais perto, viaje no tempo, daquele dia até o momento, viaje até agora. Até aqui.

Sorria, Danii, hoje é dia dos namorados.



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segunda-feira, janeiro 16, 2006

O ponteiro invisível do tempo - I

Seus sonhos são de cansar as mais férteis imaginações. A infância foi um rascunho de projeto inacabado. O lado atrasado de si, o ultrapassa. Suas conquistas seguem o atraso, não o sucesso. Aprendeu a conversar, calado. É na solidão que se descobre a convivência. Nunca superou as fraquezas, mas as fraquezas foram perdendo a graça com o passar dos anos. Tornou-se um bravo homem, mas o amor adoeceu sua coragem. Viveu paixões com disciplina, temeu riscos do desejo, acovardou a ousadia. Seu medo veste vermelho.

Criou o talento de reinventar o passado. Não tirou lições do que viveu, aprendeu com quem não foi. Cresceu tentando se tornar o homem que sonhou em ser amanhã, acabou se tornando o homem que deveria ter sido ontem.

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sábado, dezembro 03, 2005

Vazamento

Texto de Eduardo Baszczyn

"como se tivéssemos largado a torneira aberta. por dias. semanas. ouvido a água pingando. batendo na louça dentro da pia; no ralo, durante a madrugada. mas como se tivéssemos tido preguiça de nos levantar da cama. de deixar o quente das cobertas. tirar a cabeça do amassado do travesseiro. de calçar os chinelos e andar até a cozinha pra dar mais meio giro. apenas metade de uma outra volta que acabaria com o ruído. com o gasto de água. com o barulho dos pingos batendo na louça. no canto do prato. na ponta da faca. no ralo, de madrugada. vazamento esvaziando o reservatório por descaso. litros e litros pelo cano por nossa culpa. não, não foi de repente. não foi surpresa. nosso amor secou aos poucos, gota a gota. e nós ouvimos todos os pingos."


Texto tirado de um dos meus blogs prediletos: Coisas da Gaveta

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segunda-feira, novembro 14, 2005

Baseado em e-mails reais - IV



Para Julia.



O tempo nunca mais será um inimigo. O medo já não é um desconhecido, Ju. Tudo que não agrada ainda pode ser reinventado, a segurança com que te escrevo é só minha timidez com medo de aparecer. Minhas dores são minhas asas. Você também esquecerá este tempo que passou e seguirá os próximos dias como se estivesse em um novo caminho, porque estará. Começará a andar de cabeça erguida com a graça de um adulto e voltará a sonhar com a leveza de uma menina. Nós perdemos o controle do tempo e fomos percebendo o quanto as verdades se misturaram com as mentiras, só agora tivemos a coragem de separá-las. Porque uma verdade não se mistura, porque a mentira, essa, é má influencia, porque finalmente podemos enxergar: o tempo não cega, Ju. Abre os olhos. Tudo pode ser reinventado, a gente tem que viver o lado errado para ter certeza de que não vai querer fazer parte dele. Não desviaremos mais os caminhos do que nossos olhos apontem, um olhar nunca se engana e a felicidade não aceita segunda opção. A felicidade é um caminho longo e não se pode caminhar um pequeno trecho por dia por dia. Ou se anda sempre ou se está sempre parado. Quando seguimos caminhos traçados já não somos nós mesmos, somos o resto do mundo. Não somos ninguém. Os sonhos adormecem, os desejos adormecem, o medo não adormece, Ju. Passa a noite em claro. Ou você aprende o medo ou o medo prende você. Eu também já estive preso por muito tempo, meus pés grudados no chão como se criassem raízes, minhas mãos amarradas, os olhos assustados deles mesmos. Meus sonhos quase morreram. Eu quase adormeci. Ju, o que nos faltou será vivido de outra maneira, o tempo nunca mais será um inimigo. Estaremos acordados, independente do que houver. A incerteza do nosso destino é essa sede de viver que nos aquece.

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domingo, agosto 07, 2005

Palavras Mudas - III

O que nos faltou aprender sobre o outro? Não foi falta de entendimento que nos distanciou, foi o medo de entender. Nossos olhos entendidos, nossos corpos entendidos. O que a gente entende com o corpo não se traduz, seria mentir. Nós nos sobrecarregamos de traduções mal mentidas. Eu não te conheci pelas coisas que você me dizia, mas pelo desenho dos seus olhos que acompanhava tudo o que me dizia. Meu erro foi não ter descoberto antes que a verdade também estava na recíproca. Eu me atrasei com você, me perdoe. Eu te transbordei de palavras nos momentos que mais cabia meu abraço ao som do mesmo cd que sempre gostamos de ouvir juntos. E te abracei sem saber o que dizer quando você queria escutar, essas mesmas coisas para as quais sempre inventamos tantas mentiras. Depois da primeira vez que eu te abracei parece que meu corpo sofreu um impulso químico e absorveu um pouco da sua temperatura morna. E se habituou com esse aquecimento que ainda vive dentro de mim. Agora sofre crises de abstinência quando dá por sua falta. Se eu calasse não iria te ferir, me enganei. Nossas mentiras, na verdade, eram tentativas quase bem sucedidas de não nos machucar. É uma pena. Nós acabamos aprendendo a escutar nossas palavras mudas.

Coloco, agora, novamente o cd no som do meu carro até me dar o impulso de desligar na faixa que você sempre pedia para repetir. Não ponho outra. Deixo que o som e seus vestígios que insistem em morar dentro do meu peito, ambos, se calem. Nossas partes sobreviventes no corpo um do outro estão mesmo condenadas a este meu-seu eterno silêncio, ensurdecedor.

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sábado, julho 23, 2005

Amor Proibido - III

Eu queria escrever uma saudade alegre. Saudade de quando você ainda era uma ilusão boa. Escrever do seu sorriso que me matava. Eu queria escrever da fidelidade dos meus olhos a sombra dos seus movimentos. Queria poder escrever um livro inteiro com seus movimentos. Escrever uma saudade. Mas tocar nestes assuntos é beirar um precipício alto. Retornar na sua lembrança é como cair de cabeça. Então eu fico escondendo seus textos como quando evito a sua foto gravada no meu celular pela manhã para não ter que lembrar o dia inteiro que eu te esqueci. Perdoe-me por não ter lhe dito antes o que não tinha necessidade nenhuma de te dizer. Mas eu achava que algum momento da nossa historia iria nos unir . Eu devo ter começado a te amar assistindo a algum destes filmes de romance que agente vê na tv, antes mesmo de te conhecer. Depois que aconteceu passei o resto do tempo descobrindo os motivos. Um dia você acabou ficando real demais para mim. Então eu fico inventando essas lembranças adolescentes desenhadas nas linhas destes textos para que o cinema não se apague, a mocinha não perca seu encanto e eu não esqueça das cenas que eu mais gostei. Com o tempo eu acabei aprendendo que você não é o meu personagem-perfeito, mas foi o que existiu de mais próximo. Depois que eu perdi a sua ilusão eu acho que passei a gostar um pouco menos de cinema. E tenho desapego por romances. E um verdadeiro desprezo por contos de fadas. Eu podia ficar aqui escrevendo destas histórias que passaram terra-do-nunca que existiu dentro de mim todos aqueles anos. Eu podia escrever das cenas encantadas com trilha sonora do meu cd predileto que eu te dei de presente. Mas eu tenho uma vida real e às vezes temo que pensem que eu ainda acredito em romance de filme besta. Quando eu falo de você eu falo mesmo do meu lado mais besta .O meu lado impróprio a gostar de você de forma simples como em vida real. Falar de você é voltar a acreditar naquelas coisas que eu passo o tempo inteiro fingindo que não acredito mais. Falar de você é expor aqueles segredos que a gente guarda só para gente a vida inteira. É me dar chance de voltar lembrar das situações felizes que eu ainda não criei para nós dois. Falar de você é mais do que um despertar de lembranças irreais. É correr um risco assustador de ser bem entendido. Falar de você é vencer o meu medo de escrever.

Fernando Palma, Julho de 2005

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