Poemas e textos diversos: poesias de amor, frases, textos pequenos, paixão adolescente e muito mais
Poemas e textos diversos: poesias de amor, frases, textos pequenos, paixão adolescente e muito mais

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Pequenos Poemas



A Montanha








Subi ao topo de nossas memórias,
pés descalços, olhos apertados, tentando enxergar na distância
o que estava próximo e ausente.
Conquistei o cume do que restou de tua presença,
as mãos firmes,
plagiando a rigidez da pedra.


Antecipei palavras.
Memorizei versos, antes de escrevê-los.
Julguei teu gesto
antes que a luz do movimento se acendesse.
No escuro eu já te enxergava.


Somos réus de um passado
com poucos ruídos.
Mascarando evidências
em caminhos contraditórios.


Tentando juntar lembranças
a simulações.
O que se recorda
ao que será esquecido.
Mas o esquecimento rejeita companhia.


Inútil
silenciar
o inevitável.


O silêncio é incapaz de mentir.


Inútil desviar
ao percorrer o caminho de volta.
O lugar que abriga o passado
não desiste da espera.


O que a conduta de teus olhos camufla,
permanecerá ,
como uma montanha escondida atrás da sombra.


Inútil
Desconcertar
quando se conhece a forma original.


O que nossos atos desconcertam,
a natureza se ocupa em reparar.


Não existem falsas histórias de Amor.




obs: poema escrito em novembro de 2006

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Pequenos Poemas - VII




Não feche os olhos,
se algo não agrada.
Não se distraia.


Preste atenção.

O que te incomoda
é a chave
para o que aprecias.

Decifrar a tristeza é adivinhar a felicidade.






Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Frases de Pensadores - V


"Aquele que não tem confiança nos outros, não lhes pode ganhar a confiança."


Lao Tsé

Sábado, Outubro 31, 2009

É festa no céu

















Se alguém seria feliz para sempre, então para que precisaria de um anjo da guarda? Não parecia lógico, mesmo assim estava decidido: o menor dos anjos seria o representante celeste daquela futura menina, quando pousasse a graça de sua existência fenomenal na Terra. 


A experiência era já expectativa há alguns anos-luz, como um trabalho que leva tempo para estudos e requer planejamento para funcionar. Como uma tese de doutorado. Muita conversa em baixo de arco-íris e escorregadeiras, acompanhados de pacotes de jujubas, chocolates e pés-de-moleque para espantar a fome. Mas chegara ao fim. Finalmente, pela primeira vez, traria o destino a um ser humano a missão de  representar a alegria como o único sentimento durante todo o tempo de passagem no mundo onde a não-alegria predomina. Uma verdadeira obra de arte celestial.

São Pedro mandou um céu azul para presentear o acontecimento. Algumas estrelas vieram ver de perto também, e depois, cintilantes, voltaram correndo às suas galáxias para contar as irmãs e as estrelas-mães o fenômeno. As nuvens entraram em greve de chuva e se esconderam atrás das montanhas para ajudar no céu limpo do São Pedro. O paraíso fazia festa. 


Os anjos reunidos comungavam uma expectativa embaraçada, enquanto o menor deles, que seria o guardador da menina-fenômeno permanecia cabisbaixo e não era tão eufórico quanto os amigos. "O que passa?" perguntava o Gabriel com as mãos na cabeça do pequeno, como se protegesse de algo que corria em sua mente.  Os olhos e o aspecto do anjo-menor fazia com que qualquer um ali tivesse vontade mesmo de proteger, de ajudar. Mas mudavam de idéia no momento de surpresa que despertava com a sabedoria das respostas e dizeres daquele ser especial entre o grupo de meninos alados que vivem brincando nas nuvens.


"Está errado. Eu nunca conseguirei fazer o meu trabalho com esta criança. Vocês não percebem?" 


A turma de anjos fazia silêncio. Duas estrelas que estavam próximas, aumentaram um pouco a intensidade do brilho voltando suas faces para a face do anjo, fazendo com que todos enxergassem melhor as palavras pronunciadas por sua pequena boca.


"Isso não é triste? Ela nunca irá conhecer a tristeza."




Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Frases inspirantes - IV

"O que não é planejado emociona bem mais do que confirmar expectativas." 


Fabrício Carpinejar

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Rascunhos



Desenhei palavras vazias. Corri três rascunhos, parei ofegante. Revisei imaginação, aparei as pontas dos dedos, fiquei tentado encontrar uma maneira de emendar poemas. Tomei estrada, dirigi textos sem rumo, além do horizonte de dentro de mim. Apertei acelerador das mãos, atropelei uma saudade que atravessava a rua. Passei para visitar um rascunho antigo, a casa tava imunda. Notei um poema semeando na mão direita, animei a esquerda, curvei as costas dos braços, puxei o teclado tentando fazer germinar. Rabisquei um grito, confundi o inicio, briguei com a segunda estrofe, apanhei de uma antítese, sai para procurar uma analogia melhor. Irritado, memorizei a origem da inspiração para saber exatamente onde não voltar a consultar. Tentei hidratar algumas idéias secas guardadas na gaveta, procurei por palavras potáveis. Caminhei em círculos por versos, fiquei tonto, mas não parei. Senti fome, fritei alguns pastéis em Mario Quintana. Falei a um amigo sobre aquela questão emendar poemas, ele sorriu e mudou de prosa - notei algumas ameaças metafóricas cintilando no enredo da conversa dele, mas não acho que ele tenha percebido.
Voltei para as palavras vazias. Reli o esboço, inverti o inicio, assassinei dois pensamentos covardes, motivei paradoxos, entortei as linhas, escorreguei na terceira estrofe, colidi na conclusão, bruscamente. Quase um acidente fatal. Fui sentindo uma certa falta de organização, desordem de idéias, mudança de ritmo. Uma bagunça.
Comecei a gostar.



Ps:Escrito em Maio de 2007

Domingo, Outubro 25, 2009

Baseado em Personagens Reais - III





No princípio, não gostava muito dele, depois, foram me convencendo aos poucos com a idéia. Era um amigo comum a todos, mas ele sabia também ser vários, então cada um tinha um amigo diferente. Não sabia jogar bola, mas era craque em imaginar brincadeiras. Quando por qualquer instante eu ficava só, ele vinha cheio de idéias. Acabamos criando uma amizade estável. Muitas vezes, brincava horas com ele sem dizer uma palavra. Acho que isso ensinou sobre amizade. 

Ninguém sabe exatamente até quando ele permaneceu, ou quem foi o ultimo a vê-lo. Sei que da ultima vez que tocamos em seu nome estávamos reunidos no colégio, já bem crescidos, adolescentes, rindo, imaginando, como seria. Se o ele tivesse sido uma pessoa real. 


Sábado, Outubro 24, 2009

Um paradoxo de homem para menino

Sou o que resta de um menino sonhador que alcançou um homem.


Sou o homem sonhando em alcançar o menino que não lhe resta.


Sou o que resta para o homem que o menino sonhou em alcançar.



Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Frases de Pensadores - III


"O amor não conhece sua própria intensidade até a hora da separação".
Khalil Gibran

Pequenos Poemas Mario Quintana



CUIDADO


Obs: Clique em "leia mais" para ler este poema.



Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Pensamentos Soltos - V





Pedir opinião de todos tem o mesmo efeito que não pedir a ninguém. 

***

A paixão é um amor que ainda não completou dezoito anos. 

***

Me diga o que é felicidade e eu te irei quem és.


***


Não posso colocar-me em um poema, mas um poema em mim.


***


Desejos são convertido em planos. Ou conflitos.


***






"Ninguém pode fugir ao amor e à morte."
Públio Siro

***

Depois que as crianças crescem, os amigos imaginários passam o resto da vida brincando sozinhos.

***

A maior critica vem de quem se identifica com o defeito.

***

Ignorante é a pessoa que aprendeu diferente de você.






Terça-feira, Outubro 20, 2009

A História do Poeta Bom-De-Briga.



Escolheu a palavra como defesa pessoal. Aprendeu a dar os primeiros golpes ainda na infância, usando seus cadernos-sacos-de-pancada, guardados no ringue secreto do quarto. Criou a mais complexa arte das imobilizações metafóricas, inspirações herdadas por ascendência familiar, nomes consagrados. Nunca fazia demonstrações em publico, mas era conhecido em todos lugares pelas habilidades quase sobre-humanas de violência textual. Intocável, seguia com esmero de si palavreando risos, mas deixava sempre caneta afiada nas pontas dos dedos, arma nobre disposta a qualquer imprevisto poético ou até mesmo para o cotidiano. Derrubou a dor a pancadas paradoxais, matou friamente o medo da reprovação-poética com agressões metalingüísticas. Desafiou os mais temidos inimigos pessoais e ante-literários. Quando vieram as paixões escolheu os versos, quando a solidão, a prosa.

Um dia, tentou fazer um pouco de silêncio e foi assassinado.





 Escrito em Setembro de 2006






Pequenos Poemas Mario Quintana

DOS MILAGRES


O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...

Domingo, Outubro 18, 2009

O Ministério da Saúde Adverte: ame com moderação. O consumo excessivo pode causar danos irreparáveis.







I



“E amanhã...

Vou querer mais.

E depois de amanhã

mais .

E depois

mais.

E mais...


E você?”



“Perdoe-me,

mas é que eu só amo de vez em quando.

Não sou viciado.”



II

Eu sei, eu sei. Eu digo que parei, mas volto. Afasto-me, fantasio superar, anuncio para Deus e o mundo que é o fim, mas volto. Eu sempre volto. Não sou tão forte como pensam, eu sei. Eu sei. Eu vou sair daqui dizendo novamente que acabou, falando barbaridades, que tudo é passado. Mais cedo ou mais tarde estarei de volta, a cabeça baixa, os lábios sedentos, garganta em nó sufocando os olhos, câimbra na língua, dedos ligeiros como forigas, apressando um nervoso que nasce no umbigo e estica até o peito, sedento do pouco ar que me resta. Eu volto. Passo mal só de pensar em você, mas não sou capaz de me libertar. Eu sei. Você é vicio barato, que da ressaca antecipada. Mas eu sempre volto.


III

Cara, nem queira saber. É estranho, fora do normal. Tem gente que pensa que nunca entrará nessa, quando vê já está. Bate um sentimento estranho, que rói dentro. Chega gradativamente, acompanha você nos lugares, te segue. Na rua, no trabalho, na academia. Às vezes, você está com um monte de gente, mas ela continua. Ai, o nervoso vem fácil, domina, enforca a garganta, o coração bate parecendo muros. Solidão é uma droga que lhe esvazia, acaba contigo. Parece quando você está dependente de amor. Só que é bem mais pesada.




IV

Pois é, eu também pensava que nem você. No inicio. Achava que era de graça, mas me enganei. Agora que me apeguei, descobri que o que todo mundo me alertava: que tem preço.  Amor é uma droga, não tem jeito. Mais cedo ou mais tarde, a gente paga caro.




Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Danii - II









Não projete demais, não calcule, apenas fique por perto. Não hesite. Nem por três milésimos. Pense por três segundos: o que representam três anos? De onde vem a matemática do amor? Não há números em nossos encontros, Danii, apenas versos. Escrever para você é como imitar um poema já composto. É como copiar nossa própria poesia. E depois, esperar para saber se você achou que eu fiz parecido. Entende o quanto é fácil(difícil)? Hoje, só desejo isso, que leia e se mantenha por perto. Não calcule, não tenha medo, simplifique. A simplicidade é a perfeição dos apaixonados. A perfeição é uma apaixonada pela simplicidade. Danii, o que nossos atos erram, a natureza se ocupa em reparar. Nunca se esqueça. Quando nos dizemos as palavras erradas, ainda assim, nos dizemos as palavras certas. Quando nos dizemos as palavras certas, é como nos dizer o absoluto, como adivinhar o pensamento, o futuro, como a felicidade de uma criança, "o paraíso". Dizer as palavras certas é como escrever algo inatingível, perfeição inalcançável. É quase um silêncio. Concentre-se no agora, não projete demais, apenas leia este texto, fique bem perto. Comemore três anos, faça três mil desejos. Mas não esqueça de nenhum deles, amor, persiga cada um para que os conflitos não os persigam. Sim, os conflitos são predadores de desejos, baby. E se nutrem dos que não alcançamos. E se lambuzam nos desejos que perdemos de conquistar por pouco. O pouco é inimigo da felicidade, Danii, é o que sempre achamos que nos falta. Se tiver dúvidas, pergunte aos mais novos: ser feliz é ultrapassar. Por isso: preocupe-se pouco, hesite pouco, tema nada. Exceda muito. Sempre. E hoje, somente receba este texto, comemorando estes três anos, escrito com três dezenas de frases, revisado três centenas de vezes em pouco mais de três dias, para que você nunca tenha dúvida que eu quero, sempre, que você nunca, jamais, por qualquer motivo, nem que dê na TV, no jornal, num outdoor da praça, nunca, nunca, esqueça simplesmente de ficar por perto. Por alguns mais três milhões de anos.








Pedaços de Histórias - II

Nuvens
Provou um pequeno pedaço, mas foi o suficiente. O açúcar ficou grudado no céu da boca, enlabuzado. Com quatro anos, mal aprendera a falar, mas se pudesse escrever, produziria poemas para refletir tal sensação.
A mãe só deixava doce nos fins de semana, mas nos outros dias, as nuvens que passavam no fundo da casa nuca mais seriam as mesmas. Pois ele sempre as olharia sorrindo de vontade, imaginando, como seria, comer um algodão-doce daquele tamanho. 





Paixão
Era uma sensação nova, estranha. Sonhava de dia, se acordava a noite. A felicidade exagerada. Sentimento bom. Amor sem planejar, simplesmente aconteceu. De surpresa. Não esperava apaixonar-se tão facilmente por ela mesma. 







Infância
Observava o pai, sentado com o jornal na mão. Observava-o sem intenção, apenas para usar o momento em algo. Feliz ou desiludido, tentando adivinhar o que lia. Ou  talvez apenas estivesse esperando que o pai cansasse de ser um adulto e voltasse a ser criança. Para ele ter com quem brincar.







Terça-feira, Outubro 13, 2009

Frases inspirantes - III

"Metade do que vivo é imaginação. A outra metade é conseqüência dela."


Fabrício Carpinejar

O ponteiro invisível do tempo - II

Escrito em Janeiro de 2006




Repetia as mesmas palavras com poucos tropeços. Encorajava a si mesma, de uma coragem medrosa. Era só um recomeço. O silêncio das fotografias espalhadas no quarto somava o frio, que a desconfortava sempre neste instante, começo de noite. Não importa o tempo lá fora, o frio era sempre o mesmo.

Já não era mais uma menina. A juventude começou a desgastar as cores, as luzes perderam a intensidade. Sobraram apenas frestas de esperanças adolescentes, enfraquecidas pelas datas, quando completam novos aniversários. Pequenos brilhos. Restos, que na maioria das vezes, nunca conheceram sua forma completa. Metades de sonhos, solitárias, que não ousaram ensaiar finais para princípios de desejos, envergonhados por desrazões maiores. As coisas são quando há de ser, dizia vó. Mas o que será que há de ser, agora? O caminho não parece ruim, é verdade, mas falta força ao caminhar, pés já não seguem descalços sem que machuquem. Tudo fere. Os joelhos doem, de dor do coração. Sentada em sombra de aflições, soava uma canção aguda de suspiros breves, enquanto folheava saudades borradas em cadernos antigos, aposentados por invalidez do tempo. Rascunhos de amores. Ela tecia novos sonhos nos cantos dos olhos, apenas nos cantos, enquanto juntava seu corpo para tentar escapar de um frio que insiste em seu quarto por mais cobertores usados, ou maior número de agasalhos que sejam vestidos. Porque é um frio que vem de dentro.


Domingo, Outubro 11, 2009

O Paraíso



O dia amanhece escutando música. Ele mal conseguiu dormir, mesmo assim acorda renovado, como nunca antes. Ela finge que não dá bola, mas deixa escapar  o riso que não conseguiu disfarçar quando ele chegou perto. Eles se protegem, mas se denunciam. Mas não é o tipo de denuncia que condena ou aprisiona, ao contrário: liberta. Se ela sente o mesmo, ainda é uma dúvida, ele calcula. Alguns podem dizer, mas será dúvida. E mais sincero assim: na incerteza. Eles nunca irão adivinhar. Ele pode lhe dizer algo em um mometo-qualquer-semi-planejado, ela percebe. Mas não liga se não disser nada, contenta-se com a espera. Eles consentem. Os minutos não passam, o filme que muda de cena. Ela volta nos melhores momentos: a canção. A vida não acaba, apenas a história. O telespectador não cansa de repetir.









Se eu pudesse escolher para onde ir depois da morte, me transformaria em uma trilha sonora, me enviaria para o cinema, num destes filmes juvenis, onde a conquista é a maior preocupação da existência, a felicidade é besta, a repetição agrada, o choro é mais belo do que triste, os personagens permanecem jovens para sempre. E se um por algum motivo, um dia, por um incidente, sentisse que a história acabou, simplesmente voltaria para o ínicio, e faria tudo acontecer novamente. O paraíso é  um eterno filme de paixão adolescente. 




Sábado, Outubro 10, 2009

Frases de Pensadores - I

"A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos."  




Sigmund Freud

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

O Hospedeiro – Biografia Resumida

obs: texto escrito em Junho de 2007



Para Marcelo Cantalice






















Nasci nas ruas de pensamentos solitários. Não tinha sentimento para morar. Fui explorado por medos que me aprisionaram distante de onde eu era. Desisti de me libertar por muito tempo, até que um dia tentei. Fugi, e por não saber para onde ir, morei na própria ida. Falido, vivia em personalidades de aluguel, das mais baratas que encontrava. Cheguei a erros que me furtaram algumas esperanças que economizei desde cedo. Cheguei ao passado disfarçado de futuro. Cheguei a paixões que nem sempre chegaram a mim. Sem saída, cheguei à tristeza. Mas minha tristeza nunca soube me acolher. Cheguei a sonhos, depois à insegurança. Depois a sonhos. Voltei, encorajei, passava por contradições na ida-volta-e-não-ida. Guardei o endereço de algumas palavras que fiz amizade no caminho, mas nunca encontrei as verdadeiras palavras que me inventaram.


Hoje, superei meu abandono e transformei-me em uma re-invenção de mim. Não procuro mais onde viver, realizei meu sonho: sou casa própria. Estou sempre em obras e aberto a visitas. Uma moradia sólida, espaçosa e um hospedeiro insaciável: abrigo mais do que fui capaz de ser.


Sou muito mais do que já fui capaz de abrigar.


Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Pensamentos Soltos - IV



O verdadeiro inocente é o que nunca usou essa palavra!


***

Paradoxo

Toda moderação tem um pouco de exagero frustado.
Todo exagero, tem um pouco de moderação inatingida.


***
Direção

Quem volta atrás, segue mais em frente do que quem está parado. 



***


Reflexões sobre Inocência, Maldade e Maturidade

Teoria 1

Chamamos de inocente o ser que enxerga e pratica o bem, sem inteção.
Este não espera nada em troca.

Chamaos de maldoso o ser que enxerga e pratica o mal, com intenção.
Este espera algo em troca.

Teoria 2

Pessoas vividas costumam nos dizer que o bem vem para quem o pratica, assim como o mal.
Pessoas vividas, podemos entender como amadurecidas .


Teoria 3

Pessoas vividas costumam agir como aprenderam ser a melhor maneira.
Pessoas vividas nem sempre conseguem agir da melhor maneira.
Pessoas vividas procuram, então, amadurecer mais.



Teoria 4

A maldade costuma classificar inocência como imaturidade.




Conclusão1: a maldade é mais inocente que a própria inocência.
Conclusão2: a inocência é mais madura que a própria maturidade.
Conclusão3: Maturidade é maturidade.


***

Desisto quando quero sentir medo.








Terça-feira, Outubro 06, 2009

Pequenos Poemas - II

O aluno



http://100dogmas.blogs.sapo.pt/arquivo/1livros.gif



Da vida,


guardo,
o que não aconteceu.
Carrego,
o que não pude ter.
Caminho por onde
estou certo

que desconheço.


Cotidiano - II (Parte- II)

O momento do almoço era o mais importante. Distraído, tagarelava com algumas idéias felizes que ocupavam a passividade do instante. Conversava consigo, o diálogo com colegas apenas mantinha as aparências. O movimento ávido no shopping emprestava um pouco mais de vida à rotina ativa e empírica do trabalho cansado. O horário tinha liberdade para acontecer, por isso ele gostava. Sabia que qualquer destes instantes fatalmente seria um pouco mais diferente, um acidente feliz, inexplicado, um reencontro. O acaso. Não era exatamente acaso, porque ele já sabia. No entanto, não havia motivo ou prova para justificar como ou por que saberia, apenas sabe. Porque ele aprendeu a acreditar nas coisas sem haver razão e dessa maneira era mais bonito e verdadeiro. Bastava alguma força do querer, a realidade não é tão difícil . Sua crença sempre fora intocável e paciente, assim como a serenidade usada todos os dias para cuidadosamente alternar os três itens que mais gostava das opções de refeição. Como para ir ao cinema com o carro que só usa fim de semana, como para calcular os gastos, pagar as contas. Para trabalhar.



Até o fim de expediente, resistia ainda tranqüilo, mesmo com presença fática da canção lhe vigiando a memória. Mesmo com satisfação óbvia apregoada ao semblante dos trabalhadores esforçados, transpirando, empurrando o resto do dia para chegar logo às dezoito horas. Acima de tudo e todos, permanecia sereno e paciente na mesma posição que trabalha durante toda a semana. E a satisfação pela Sexta-feira permanecia linearmente em duvida a quem quer que o visse, calmo. Estaria feliz como os demais? Seria sua felicidade serena?



O metrô andava mais depressa neste dia particular. Debaixo do braço, um vinho suave e meio maço de cigarros de menta guardados da semana. O vinho era o mesmo, uma única garrafa, sempre.





O ruído da vizinhança intercalava os trechos mais sonoros do filme no apartamento, mesmo com as caixas de som recém-compradas que ampliaram excitadamente o volume das sessões de Sexta. Os intervalos quase ociosos de dispersão não eram desperdiçados. Usava para ensaiar alguns momentos de futuro, baseado pelo que passava na historia. Ensaiava acontecimentos. E diálogos de cinema que guardava para um dia usar em alguém. Preferia os romances, como os livros, mesmos os menos atrevidos, onde tudo parecia fácil e compreensível: para todos haveria uma oportunidade, um reencontro, aquele acidente feliz. Como no shopping. A vida realmente tem liberdade para acontecer. Os finais das historia poderiam ganhar um pouco mais de sentido muito em breve também para ele, sim, a Sexta-feira seria o mais particular ainda dos dias. O trabalho não precisava ser sempre o mesmo. E teria com quem dividir alguns sonhos semi-perfeitos. E quebraria estrategicamente a tradição de uma garrafa. Tudo, tudo seria com um pouco de espera e concentração do querer. Sabia.



Apagou ultimo cigarro alguns minutos atrasados em relação ao tempo da cena final. Respirou um pouco do ar que lhe restava, reproduzindo com a boca uma expressão que lembra bem um bocejo. Buscava o sono.



Fracassou ao tentar desligar a TV. Acabou dormindo com o volume bastante alto, para atrapalhar a canção triste-bela que, por dentro, sobreviveu durante todo o dia.






Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Frases inspirantes - I

"O oposto da dor é a paz e não a felicidade"




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